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Ansiedade, insônia, estresse? O seu gaba pode estar desregulado

Você se sente agitado, irritado ou triste sem razão aparente? É uma sensação que surge com frequência? É ansioso e tem insônia ou dificuldade de dormir há muito tempo? Lida de forma exagerada ao estresse?

Se você respondeu sim a um ou mais desses sintomas é bem provável que alguns hormônios e neurotransmissores do seu corpo estejam em desequilíbrio. Os mais envolvidos são serotonina, os hormônios do estresse, o cortisol, e do sono, a melatonina, além de gaba e glutamato, dois neurotransmissores que regulam a balança entre relaxamento e excitação.

Nesse texto vou focar no Gaba, o acido gama aminobutírico e no glutamato, pois não tem como falar de um sem o outro ;)

O gaba é o neurotransmissor da calma e tem a função de desacelerar a atividade cerebral, o que leva a sensação de relaxamento. Ajuda a manter o foco mental e os ritmos internos para reparo e o crescimento de células.



Se você tem uma deficiência de GABA ou outra condição que afete a função normal deste sistema de cérebro, então você pode experimentar ritmos cardíacos anormais, humor excessivamente elevados, ansiedade, insônia, e muito mais. Além disso, como tem relação ao reparo e crescimento celular, essas funções podem ficar prejudicadas.

As doenças e os transtornos relacionados ao desequilíbrio do GABA incluem autismo, dependência de drogas/álcool, transtorno bipolar, depressão, epilepsia, fibromialgia, alguns tipos de demência como doença de Alzheimer, e alguns transtornos intestinais (doença de Crohn, câncer colorretal, síndrome do intestino irritável – SCI, colite ulcerativa). Além disso, as doenças caracterizadas por movimentos involuntários, como o Parkinson, a discinesia tardia e a doença de Huntington também estão associadas a baixos níveis desse neurotransmissor.

Uma de suas funções mais importantes do Gaba é sua capacidade de minimizar o estresse e a ansiedade. Quando seus níveis estão baixos, aumentam as chances de nos sentirmos ansiosos, angustiados e muitos sensíveis a estimulação. Nesse sentido, um artigo publicado na Nature (artigo aqui) afirma que esse transmissor pode diminuir especificamente os pensamentos não desejados que alimentam o estrese, a ansiedade, a depressão e outros transtornos relacionados.

Outra forma que o GABA afeta a atividade cerebral é alterando os padrões de ondas cerebrais. Sua presença aumenta as ondas cerebrais alfa, associadas com o estado relaxado e diminui as ondas beta, associadas com o estresse e a ansiedade.

O equilíbrio da atividade cerebral

Para se falar sobre como o GABA funciona, é preciso levar em conta outro neurotransmissor, o acido glutâmico ou glutamato. Este neurotransmissor é um subproduto natural da produção de energia no cérebro. Esses dois neurotransmissores são complementares e opostos.





O ácido glutâmico, como principal neurotransmissor excitatório, equilibra os efeitos inibitórios do GABA. Os neurotransmissores excitatórios aumentam as chances de que um impulso nervoso seja disparado. Assim, enquanto o GABA retarda a atividade cerebral, o glutamato acelera. Ou seja, eles trabalham juntos para controlar a atividade cerebral, e um pode se transformar no outro, ou seja, o ácido glutâmico é o precursor do GABA e este, por sua vez, pode ser reciclado e virar ácido glutâmico, conforme a necessidade, e esse processo depende da vitamina B6.

O que pode reduzir o GABA

Na maioria dos casos a disfunção do GABA pode ser atribuída diretamente ao estilo de vida. Nesse sentido, de acordo com o Dr. Datis Kharrazian, pesquisador da Escola de Medicina de Harvard, muito estresse, má alimentação, falta de sono, muita cafeína e intolerância ao glúten são as causas da “disfunção” de GABA.

Vale salientar que todas as formas de sensibilidades alimentares ou sensibilidade a outras substancias que entramos em contato agem como agentes estressores e favorecem um estado mais inflamado corpo, inclusive no cérebro o que aumenta as concentrações de glutamato e por consequência redução de GABA. Então não é só o glúten, mas também outros alimentos e agressores ao organismo, tanto a nível fisico, mental, emocional e ate espiritual.

Além disso, é preciso levar em consideração que as bactérias intestinais produzem esse neurotransmissor. Dessa forma a alteração do equilíbrio bacteriano do intestino, a disbiose, pode acarretar em redução da produção de GABA.

Outro ponto é a deficiência de vitamina B6 ou uma reação autoimune pode interferir na sua produção. E as causas dessa reação autoimune incluem transtornos autoimunes em geral, diabetes, intolerância ao glúten, doença celíaca e tireoidite de Hashimoto.


Além disso, em relação a substâncias de consumo, a cafeína inibe a atividade do GABA, enquanto o álcool e tranquilizantes aumentam de forma momentânea, mas causam um ciclo vicioso de dependência e aindo promovem alterações que favorecem a inflamação e desequilíbrio entre gaba e glutamato.


É preciso levar em consideração que são muitas as mudanças químicas internas que podem influenciar o desequilíbrio entre glutamato e GABA.

Então como aumentar os níveis de GABA?

Apesar de existir no mercado suplementos que contêm sua forma sintética há controvérsias sobre se eles realmente funcionam. Já que precisam atravessar a barreira hemato-encefálica para chegar ao cérebro em quantias significativas.

E, ainda, não há uma dose estabelecida para os suplementos de GABA atualmente, nem pesquisa suficiente sobre o assunto para descobrir os efeitos secundários desses suplementos. E mais, não há informação suficiente para garantir a segurança desses suplementos.

No entanto há muitas outras maneiras de manter um nível saudável de GABA de forma natural. Ou seja, uma alimentação adequada, livre de alérgenos e outros agressores, equilíbrio nutricional e manutenção da saúde intestinal.

Alimento que possuem uma concentração considerável desse neurotransmissor é o arroz integral, farelo e o gérmen de arroz. Os chás de melissa, camomila, maracujá, valeriana e mulungu também pode ajudar bastante.



Outra estratégia se refere ao equilíbrio das bactérias que compõem nossa microbiota intestinal. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Biociências da Universidade de Cork, na Irlanda, revelou que os alimentos probióticos, como iogurte, kefir, kimchi, e o chucrute contem cepas de bactérias produtoras de GABA, como L. brevis e B. detium (artigo aqui)

Outro ponto importante é reduzir ao máximo, em alguns casos até excluir o consumo de cafeína, já que ela inibe a capacidade desse neurotransmissor se lugar ao seu receptor e exercer seu efeito. Substitua o café por chá, até o chá verde que possui cafeína, mas vem junto com teanina que reduz o efeito da cafeína.

O exercício também é uma forma eficaz de aumentar o GABA. Vale qualquer tipo, mas a ioga nesse sentido é especialmente interessante, já que em apenas uma única sessão pode aumentar cerca de 27% as concentrações de GABA no cérebro (artigo)

A aromaterapia é uma forma bastante eficaz e que age de maneira imediata. Nesse caso o uso da inalação direta que em 8 segundo está no sistema límbico atuando no cérebro. Óleos com essa ação são Sandalo amyres, Camomila alemã, Capim cideira e Litsea cubeba, além da Laranja doce e Manjerona. Mas atenção o uso de óleos essenciais deve ser avaliado conforme o caso global do individuo, já que muito pode interferir no metabolismo de hormônios estrogênicos.

Mas atenção o uso de óleos essencial assim como suplementações de fitoterápicos que aumentam Gaba deve ser pontual, como um recurso SOS, para ser usado a curto prazo. Por um tempo mais prolongado por sua depressora pode prejudicar os impulsos nervosos e ate favorecer um estado depressivo, por isso evite a automedicação e procure um profissional habilitado para lhe acompanhar no Reequilíbrio do seu corpo

A verdadeira solução é identificar o gatilho que desencadeou a deficiência de GABA, pois os mesmos problemas apresentam causas distintas e isso se chama individualidade. A nutrição funcional através do raciocínio de cada caso na teia de inter-relações metabólicas traz o entendimento do processo de saúde e doença de cada individuo e quais a ações para agir na raiz do problema e favorecer assim a sua saúde no máximo potencial.


E lembre-se sempre cuidar da saúde é da responsabilidade de cada um.

O médico e o nutricionista podem e devem te orientar, facilitar a clareza do caminho a ser trilhado Mas o cuidado diário é seu.

Ele é de sua única e intrasferível responsabilidade.

Com amor,


Aline



Algumas referências Schmitz. T. et al. Hippocampal GABA enables inhibitory control over unwanted thoughts. Nature Communications volume 8, Article number: 1311 (2017)

Barrett et al. γ‐Aminobutyric acid production by culturable bacteria from the human intestine

Journal of Applied Microbiology, 2012. v. 13

Streeter, C. et al. Effects of Yoga Versus Walking on Mood, Anxiety, and Brain GABA Levels: A Randomized Controlled MRS Study. J Altern Complement Med. 2010 Nov; 16(11): 1145–1152.

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